AS TRADUÇÕES DO CLUBE DO LIVRO

 

John Milton - USP

 

 

i) Introdução

 

            O Clube do Livro começou a funcionar em 1943 e foi o primeiro clube de livros do Brasil. Publicava livros mensais a aproximadamente um terço do preço dos livros vendidos em livrarias. Os livros eram entregues pelo correio ou por entregadores, e o Clube do Livro alcançou sucesso imediato, com edições de até cinqüenta mil exemplares, um número muito elevado no Brasil, onde as tiragens  para um romance comum é em torno de três mil exemplares. Por volta de 1969, já havia vendido 6.579.421 livros, que podiam ser encontrados nos “lares, nas escolas, nas bibliotecas, nas usinas, nas fábricas, nos quartéis” do Brasil. A nova consciência cultural que esses livros promoviam ajudaria a tornar “a Pátria maior” (Ribeiro:7). Suas publicações eram principalmente de obras clássicas, estrangeiras e brasileiras, em proporções aproximadamente iguais, embora em seus últimos anos começasse a publicar várias novelas policiais e romances de aventura, chegou a organizar alguns concursos entre escritores e publicava os romances ganhadores. Teve também um programa semanal na televisão, o “CLUBE DO LIVRO”, em 1963, cujos objetivos eram: ajudar na formação de bibliotecas caseiras de forma, proporcionar informação cultural, promover competições literárias e apresentar entrevistas com intelectuais sobre questões literárias (Gorki 1964: orelha da capa).

Nos seus primeiros anos, os objetivos do Clube do Livro eram, de certa maneira, mais sérios. Utilizando reedições das editoras Editora Martins, Antônio Tisi ou Cultrix, publicava obras mais longas como, por exemplo: Madame Bovary, publicada em 1944, (317 páginas); Salambô (1944), (216 páginas); Eugênia Grandet (1944), (222 páginas); O Castelo de Lourps de J.-K. Huyssmans (1944), (204 páginas); O Romance de um Pobre Professor de Joseph Roth (1950), (203 páginas); A Casa das Sete Torres de Nathaniel Hawthorne (1950), (222 páginas); todas elas contavam com mais de 200 páginas depois de impressas. A introdução a Um Homem Acabado, de Giovanni Papini (1945), 207 páginas impressas em corpo pequeno, chegou a conter uma longa citação de Barbey D’Autrevilly sobre sua família em francês sem tradução.

            A partir de 1960 o tamanho das edições passou a ser de 160 páginas, embora algumas obras como Ivanhoé, As Viagens de Gulliver, Moby Dick e As Aventuras de Huck fossem publicadas em dois fascículos mensais.

            O Clube do Livro foi fundado na mesma época em que o inglês começou a desbancar o francês como língua estrangeira mais usado no Brasil. No começo havia um predomínio de romances traduzidos do francês que logo depois, nos anos cinqüentas, abriu caminho para os romances do inglês. O bloqueio naval inglês, de 1941 até o final da guerra, cortou o suprimento de livros vindos dos territórios ocupados pelos nazistas e, assim, os livros franceses, uma vez que a França foi ocupada em 1940, eram cada vez mais difíceis de serem encontrados e, por outro lado, um número cada vez maior de livros passou a ser importado da América do Norte. Depois da Grande Guerra, os Estados Unidos passariam a dominar a economia mundial, aumentandocom isso o interesse por coisas americanas, sobretudo devido à influência do cinema. Assim, graças ao crescente interesse por novelas policiais norte-americanas, o Clube do Livro começou a publicá-las em tradução a partir de 1965 (Norman Roleday, P.N. Oppenheim). Além disso, a Editora Globo de Porto Alegre havia publicado uma bem-sucedida série de traduções de escritores de língua inglesa no final da década de trinta e a Editora José Olympio começou a publicar traduções do inglês no começo dos anos quarentas.

            Muitas traduções de obras russas eram feitas indiretamente a partir de traduções já existentes em francês, embora o livro de Turguêniev Pais e Filhos fosse editado a partir de uma outra publicação lançada pela Editora Martins, que havia sido traduzido diretamente do russo por Ivan Emilianovitch. Assim, com a diminuição das traduções do francês, houve conseqüentemente uma diminuição na tradução de obras russas. Algumas vezes, o caminho que as traduções tomavam não era muito claro. Dois Vivos e um Morto de Sigurd Christiansen (1947) foi “traduzido da versão direta do norueguês de Georges Sautreau por A. Luquet” (Christiansen: capa). Aparentemente, isso queria dizer que A. Luquet traduzira a obra do francês para o português.

 

ii) O Discurso do Clube do Livro

 

            Observemos então atentamente as notas introdutórias do Clube do Livro, que eram, provavelmente, escritas por Mário Graciotti.

A primeira delas é extraída da capa do O Capitão dos Andes de R. Magalhães Júnior (1971):

Aos nossos distintos associados, leitores e amigos

[...] E se o acréscimo do preço não tem sido mais acentuado, devemo-lo à valiosa e imprescindível cooperação de tôda a operosa e eficiente equipe de Empresa Gráfica da “Revista dos Tribunais” S.A , de cuja direção fazem parte o escritor Nelson Palma Travassos e o economista Carlos Henrique de Carvalho, que colocam a sua colaboração no limite do trabalho sem lucro, e ao sacrifício mesmo de nossos setores de direção, redação, administração e expedição, sempre na faixa de retribuições modestíssimas.

 

Temos absoluta certeza de que, passando, a partir de 1.o de novembro de 1971, mantidas aquelas melhorias e a entrega a domicílio, a Cr$4,00, com apenas 11% de aumento, continuaremos a ser, no gênero, o livro mais barato no Brasil, e a contar, indubitavelmente, com a simpatia e o apoio de nossos distintos associados de todo o território nacional para os quais defendemos o lema desta Editôra: propiciar o maior convívio com o livro, ajudar a criar bibliotecas nos lares brasileiros e a enriquecê-las com obras de indiscutível valor cultural, o que vem sendo comprovado há 29 anos ininterruptos, pois, desde 1943, as nossas edições se colocam no plano do livro limpo, bom e barato, procurando contribuir para alargarem o mercado ledor brasileiro, base do maior progresso na Nação.

(Magalhães Jr. 1971: Segunda capa)

 

            Podemos fazer uma série de observações sobre isso. Em primeiro lugar, o livro era o principal meio de levar cultura para os brasileiros, e o Clube do Livro imaginava-se o guardião dessa cultura do livro. A sua missão era levar livros baratos ao maior número possível de pessoas, proporcionando a elas a possibilidade de montar uma biblioteca em casa. Isso enriquecê-las-ia culturalmente e as estimularia a comprar mais livros, e esse aumento nas vendas de livros seria o fundamento do progresso no Brasil.

            Em segundo lugar, havia a idéia de sacrifício. Aqueles que trabalhavam para o Clube do Livro faziam sacrifícios para assegurar que os livros fossem publicados. Estavam como que envolvidos em uma obra de caridade. Isso permitiu que o preço dos livros do Clube aumentassem apenas 11% em 1971, enquanto que a inflação chegava aos 19,5% (Revista Conjuntura Econômica in Equipe de Professores da USP:379). Aqueles que trabalhavam para o Clube do Livro faziam-no ou sem recompensa financeira, como era o caso de Nelson Palma Travassos e Carlos Henrique de Carvalho, ou com baixa remuneração, como era o caso dos próprios editores, gerentes e do pessoal do departamento de entrega. O discurso do Clube do Livro parece ingênuo nesse caso, pelo fato de tentar colocar-se alheio ao sistema de produção comercial, apesar de ter de lidar diariamente com as necessidades do comércio, como custos de papel, vencimentos e vendas como todo o empreendimento comercial.

            Mais do que a pressão das forças econômicas, a inflação era o grande problema, e o Clube do Livro teve de travar uma verdadeira batalha para poder manter os preços baixos: o texto utiliza termos como “sacrifício” e “defendemos”. Mas, com abnegação essa batalha poderia ser vencida. Os baixos preços, com aumentos que não ultrapassariam os 11%, seriam uma vitória e fortaleceria o apoio dos sócios.

            A imagem de missão é freqüentemente percebida. Na capa interna do livro de Guglielmo Giannini, O Anjo Negro (1961) havia uma oferta do livro de viagem de Mário Graciotti, Europa Tranqüila, a todos leitores que conseguissem agremiar cinco novos sócios. É claro que o Clube do Livro precisava de mais sócios para poder sobreviver comercialmente, entretanto, ao incorporar esses novos membros ao clube, o associado estaria não apenas ajudando a si mesmo e ao Clube do Livro, mas também estaria se envolvendo em uma cruzada do livro: “AJUDE A DIFUNDIR O LIVRO NO BRASIL - O LIVRO É A CHAVE DE TODO PROGRESSO MATERIAL E ESPIRITUAL”.

            Imagens semelhantes a essa missão cultural patriótica eram encontradas com freqüência. Uma ficha, na última páginado livro Genoveva de Brabante de Christofer Schmidt, vinha acompanhada do seguinte apelo patriótico: “Ajude a engrandecer o Brasil, colaborando, por todas as maneiras, na difusão do livro em nosso País” (Schmidt:158). A missão é encontrada também no livro de Charles de Coster A Lenda de Ulenspiegel (1957), onde “obras-primas famosas” são chamadas de a “Chave do Mundo”. Isso também é visto na famosa epígrafe de Cícero: “Uma casa sem biblioteca é como um corpo sem alma”.

            O livro é uma panacéia. Isso pode ser visto na seção seguinte, extraída da Nota Explicativa ao Triste Fim de Policarpo Quaresma (1967), na qual Mário Graciotti comenta o idealismo de Lima Barreto:

 

Tudo o que temos, na liberdade e na economia, no bem-estar e na cultura, todas as conquistas sociais, a partir da organização do trabalho, da estabilidade, do seguro, das férias, das aposentadorias, mesmo com as suas lacunas, ainda, tudo isso é devido ao milagre da palavra, escrita ou falada, que os visionários, à maneira de Poilcarpo Quaresma, semearam nas latitudes do mundo, através do livro e das tribunas. E o passado histórico nos ensina que somente através do Livro é que poderemos, lenta, mas seguramente, eliminar o mal das improvisações e terminar a construção ideal daquele edifício que Lima Barreto [...] sonhava [...]

(Lima Barreto:11)

 

            Lembrando a frase de Monteiro Lobato “Um país se faz com homens e livros” (in ed. Rónai:1985), o livro é o logos e a panacéia. É a causa de tudo o que existe de bom no mundo e a solução de todos os problemas do mundo. Mas raramente está especificado que tipo de livro trará benefícios à humanidade. Normalmente, a única qualidade que esses livros devem ter é que sejam “úteis” e “limpos”. Apenas o livro, sem que se levasse em consideração o seu conteúdo, quem o havia escrito e o ponto de vista que apresentava, era suficiente para melhorar o mundo.

            A quarta capa de todas as publicações do Clube do Livro continha os seguintes versos de Castro Alves (1847-71), sobreposto ao mapa do Brasil:

 

Oh! Bendito o que semeia

Livros... livros a mão cheia.

E manda o povo pensar

Livro, caindo na alma

E germe... que faz a palma!

E chuva... que faz o mar!

 

            Essas eram as últimas linhas do poema de Castro Alves, “O Livro e a América”, no qual o livro é visto como o meio para o progresso e esclarecimento para as Américas. O progresso não será o mesmo dos gregos, através de “dóricos Partenons”, que serviam para a adoração de “mil deuses”, ou dos romanos, em cuja cidade os “mil marmóreos Panteons” foram construídos sob um regime que dependia do medo, ou mesmo como na Alemanha, cujas catedrais foram construídas graças à “tirania feudal”. Os habitantes esclarecidos das Américas usarão o livro como arma, que estará nas suas mãos no dia do juízo:

 

Filhos do sec’lo das luzes!

Filhos da Grande Nação!

Quando ante Deus vos mostrardes,

Tereis um livro na mão:

O livro - esse audaz guerreiro

Que conquista o mundo inteiro [...]

(de Poesia Completa in Azevedo:52-54)

 

 

iii) Esclarecimento e paternalismo

 

            A atitude do Clube do Livro em relação aos autores publicados era de absoluta deferência: “O imortal Tolstoi procura, nestas empolgantes páginas [...]” (Tolstoy:6). Sobre Eugênia Grandet (1945) de Balzac: “É livro imortal, que perdurará através do tempos” (Balzac:5); a autora do The Professor é “a imortal Charlotte Bronté [sic]”  (Brontë 1958: 154); e no Hard Times (1969) “O culto da beleza e do amor consagra Charles Dickens como um dos maiores escritores de todos os tempos” [...] “esta cena patética e bela” [...] “comovente livro” [...] “empolgantes páginas” [...] “inimitável obra literária” [...] “imortal Dickens” (Dickens 1969:9). Robinson Crusoe (1955) “empolga e encanta” (Defoe:orelha da capa).

            Havia um excesso de superlativos: No O Navio Fantasma, “o famoso escritor (R.L.Stevenson), mundialmente conhecido, apresenta páginas de palpitante interesse literário, cheias de empolgantes aventuras”. O anúncio do Os Miseráveis, um grosso volume de 700 páginas, e que não foi publicado como o livro do mês, estabelece que “o gênio de Victor Hugo esculpe um dos maiores, se não o maior livro da Humanidade, através de todos os tempos” (Sylvera:orelha da capa).

            O Clube do Livro era direcionado aos leitores da classe-média baixa, pessoas que talvez estivessem comprando livros pela prmeira vez na vida ou que tivessem uma educação limitada. A atitude dos editores em relação aos leitores era sempre paternalista. Palavras pouco conhecidas ou estrangeiras e referências clássicas vinham anotadas. Por exemplo, em The Professor, havia notas de rodapé que explicavam o significado de “Pylades and Orestes” (Brontë 1958:7), “Croesus” (Brontë 1958:9), “Loth”, “Rebecca” (Brontë 1958:31) e a origem da palavra “hipocondríaco” (Brontë 1958:162), entre outras.

            E dava conselhos: o Clube do Livro estava particularmente interessado nos hábitos de comer e de beber. Os editores do Clube do Livro buscavam em Charlotte Brontë referências aos “rudes cuidados de comer e beber” no The Professor (1958) com a seguinte nota de rodapé:

 

Por esta pequenina frase, brilhantemente traduzida por José Maria Machado, fidelíssimo, como sempre, ao difícil texto do original inglês, percebemos que para Charlotte Bronté [sic], nascida em 1816 e falecida em 1855, com apenas 39 anos de idade, comer e beber eram “rudes cuidados”. Esta errada concepção vem de longe e atinge inúmeras pessoas que julgam ato inferior o indivíduo ter certo encanto pelas coisas alimentares, e que é elegante não comer ou comer pouco. Êste erradíssimo ponto de vista tem feito muitas vítimas; a própria Charlotte Bronté, talvez tenha pago com sua vida o descaso alimentar que se adivinha no que escreve. A tuberculose, que a levou tão cedo dêste mundo, não teria sido conseqüência do seu êrro alimentar? E suas duas irmãs não teriam, também cometido a mesma imprevidência?

(Brontë 1958:160)

 

            O Clube do Livro ficava preocupado que os seus leitores imitassem os precários hábitos de comer e de beber dos autores e personagens dos livros que publicava. O parágrafo seguinte chama uma nota de rodapé que se extende por mais da metade de uma página:

 

Fazia parte da dignidade e do serviço da sra. Sparsit não almoçar. Superintendia oficialmente a refeição, mas dava a entender que considerava o almoço uma fraqueza para pessoa tão majestosa, como a sra. Sparsit se julgava.

(Dickens 1969:54)

           

            Além de difundir cultura através dos livros, como vimos na seção anterior, o Clube do Livro acreditava que lhe cabia a tarefa de melhorar os hábitos nutricionais do brasileiro. A melhor forma de difundir esses hábitos seria através dos livros, então por que não unir tanto o esforço de difundir cultura quanto alimentação saudável por meio dessas notas de rodapé. O livro é uma panacéia: além de resolver a deficiência cultural do Brasil, resolvia problemas de saúde.

            Mas mesmo aqueles que se alimentam bem devem tomar cuidado. Alguns tipos de alimento, aparentemente inofensivos, poderiam causar drásticas conseqüências:

 

Polenta, do italiano polenta (do tema latino pollen, flor de farinha), prato culinário feito de farinha de milho, fubá, de grande uso em certos povos; o uso e abuso na ingestão de polenta provoca a pelagra, doença caracterizada pela ausência de vitaminas, especialmente as dos complexos G e PP, com aparência de eritemas (rubor congestivo da pele,) perturbações digestivas, nervosas e mentais.

(Irving:35)

 

            O álcool era visto como um grande mal, e os editores do Clube do Livro tentavam corrigir a impressão que podia ter sido dada por determinados autores de que o álcool trouxesse alguns benefícios. Uma nota de rodapé em Tempos Difíceis diz:

 

O valor energético que o xerez produz no organismo humano, como no caso citado por Dickens, é devido à queima que as bebidas alcoólicas efetuam no organismo humano à custa do complexo vitamínico B e de tôdas as outras vitaminas [...] o uso e abuso das bebidas alcoólicas são responsáveis pelas faixas patológicas que atingem a nossa saúde, principalmente, nos quadros clínicos das estomatites, gastrites, colites, hepatites, polinevrites, delirium-tremens, alucinações [...]

(Dickens 1969:57)

 

iv) O Gigante Gargântua: A perda de muitas vozes

 

            Gostaria agora de analisar três traduções com o objetivo de mostrar como elementos escatológicos, estilísticos, políticos, religiosos e narrativos foram eliminados. As obras eram muitas vezes encurtadas para que pudessem caber no formato padronizado de 160 páginas, muitas vezes omitindo justamento os elementos de “autoria”.

            O Gigante Gargântua foi publicado pelo Clube do Livro em uma “tradução especial de José Maria Machado” no ano de 1961. Essa edição continha também dezenove páginas de trechos do Pantagruel. De forma extraordinária, o tradutor confessa que fez um amplo uso da tesoura:

 

Nessa edição para o Clube do Livro, foram aparadas todas as incongruências e ousadas liberdades do autor, com racional adaptação do texto. Os leitores não suportariam a tradução pura e simples de muitos trechos, que fomos obrigados a eliminar, por uma questão de decência e probidade.

(Rabelais:14-15)

 

            Na Nota Explicativa, Domingos Carvalho da Silva não participa muito do entusiamo do tradutor pelos cortes realizados:

 

A tradução que se segue foi, como dissemos, escoimada pelo tradutor, certamente em atenção às tendências do público assinante das edições do “Clube do Livro”. As passagens mais cruas e mais irreverentes foras [sic] suprimidas e, em conseqüência o colorido — que hoje se poderia chamar “engagé” - da novela, esmaeceu. Permanece [...] boa parte da expressão de um livro que não sobreviveria ao tempo se não fosse, também, como obra literária, uma alta realização do espírito humano.

(Rabelais 1961:11)

 

            De fato, José Maria Machado elimina por pudor todas as referências ao ato sexual e funções fisiológicas com as quais Rabelais tanto se delicia. Por exemplo, não pode haver uma referência direta ato sexual:

 

Moiennans lesquelles loys, les femmes vefves peuvent franchement jouer du serre cropière (fazer amor) à tous enviz et toutes restes, deux mios après le trespas de leurs mariz.

(Rabelais 1965:Ch III:51)

 

Referências às funções fisiológicas deveriam ser suprimidas:

 

Non obstant ces remonstrances, elle en mangea seze muiz deux bussars et six tupins. O belle matière fecale que doivoit boursouffler en elle!

(Rabelais 1965:Ch. IV:57)

 

            José Maria Machado ignora também os trocadilhos e jogos de palavras, como podemos observar pela seguinte seção:

 

Par mesmes raisons (si raisons les doibz nommer et non resveries) ferois je paindre un penier, denotant qu’on me faict pener; et un pot à moutarde, que c’est mon cueur à qui moult tarde; et un pot à pisser, c’est un official; et le fond de mes chausses, c’est un vaisseau de petz; et ma braguette, c’est le greffe des  arrestz; et un estront de chien, c’est un tronc de ceans, où gist l’amour de mámye.

(Rabelais 1965:Ch IX:95)

 

            Não é preciso dizer que ele também omite a longa lista de alcunhas e eufemismos para o pênis:

 

[...] ma petite dille [...] ma pine, [...] ma branche de coural, [...] mon bondon, mon bouchon, mon vibrequin, mon possouer, ma teriere, ma pendilloche, mon rude esbat roidde et bas, mon dressouoir, ma petite andoille vermeille, ma petite couille bredouille.

(Rabelais 1965:111)

 

            Quando uma referência a uma função corporal é mencionada, é eufemizada. A “pissa”, uma referência à égua de Gargantua, torna-se “soltou águas”, (Rabelais 1965: Ch. XXXVI:289).

            O tradutor também não mostra interesse pelas variações estilísticas de Rabelais. Rimas, como “Chiart,/Foirart,/Petart,/Brenons, Chappart/S’espart/Sus nous./ Hordous,/ Merdous,/Esgous,/Le feu de sainct Antoine te ard!/Sy tous/Tes trous/Esclous/Tu ne torche avant ton depart!.” são ignoradas (Rabelais:Ch. XIII:125), como acontece com a lista de jogos (Rabelais 1965:Ch. XXII:179-185) e trocadilhos, por exemplo:

 

Que fera cest hyvrogne icy? Qu’on me le mene en prison. Troubler ainsi le service divin!” 

– “Mais (dist le moyne) le service du vin faisons tant qu’il ne soit troublé; car vous mesmes, Monsieur le Prieur, aymez boyre du meilleur.

(Rabelais 1965:Ch. XXVII:229)

 

            Esse último trocadilho seria possível em português: “serviço divino” e “serviço do vinho”; mas ficou traduzido, precariamente, por “serviço diário” (Rabelais 1961:67).

            O uso que Rabelais faz do latim, em uma parte onde ele brinca com relíquias santas e a utilização exagerada da mesma língua são cortadas. Até quando os peregrinos são engolidos por Gargantua, falam latim: “Cum exurgerent homines in nos, forte vivos deglutissent nos, quand nous feusmes mangez en salade au grain du sel; cum irasceretur furor eorum in nos, foristan aqua absorbuisset nos, quand il beut le grand traict [...]”. Tudo o que aparece escrito em latim é ignorado na versão em português (Rabelais 1965:Ch. XXXVIII:305).

            O Clube do Livro não concorda com a crítica de Rabelais a determinados elementos da Igreja. No capítulo XL, desaparece a passagem “Pourquoy les moynes sont refuyz du monde, et pourquoy les ungs ont le nez plus grand que les aultres”, que ironiza a vida dos monges, uma vez que a proposta de Gargântua é a de que os devotos pudessem se casar:

 

Item, parce que ordinairement les religieux faisoient troys veuz, sçavoir est de chastité, pauvreté et obedience, fut constitu’t que là honorablement on peult estre marié, que chacun feut riche et vesquist en liberté.

(Rabelais 1965:Ch. LII:403)

 

 

v) Tempos Difíceis : Língua de baixo padrão e a política

 

            Tempos Difíceis pode parecer uma escolha curiosa para um clube de livro que precisa manter boas relações com o regime militar para poder distribuir seus livros. De qualquer forma, logo no início da Introdução, o editor não se arrisca e se esforça muito em insistir que não existe mensagem revolucionária de esquerda na obra de Dickens: “É um livro de idéias, embora não se possa denominar propriamente um livro de combate.” Tempos Difíceis tinha de  permanecer o mais longe possível do Brasil de 1969 e tornar-se um romance regional de uma época distante: “Nele se apresenta um aspecto novo da sociedade provinciana do seu tempo, a luta surda entre o antigo e o moderno, através de uma burguesia de outras eras” (Dickens 1969:8). Apesar de estar ligado ao presente, Hard Times está ligado também à escravidão e às épocas sombrias do passado, as quais agora estão superadas pela Declaração Universal dos Direitos da Criança e do Homem, pela abolição da escravidão, pela luta contra a usura, pelas Nações Unidas, pela Igreja Ecumênica Contemporânea e, no Brasil, pelo aumento de direitos para o trabalhador, direitos esses que existem desde 1922. É possível que estejamos próximos ao mundo sonhado por Dickens. José Maria Machado comenta então que Hard Times foi uma crítica à política econômica do laissez-faire, ora predominante na Inglaterra. Mas ele não consegue levar adiante esse possível elemento de crítica social e não permite nenhuma comparação com as desigualdades existentes no Brasil em 1969 alegandoque se trata de um livro que transcende lugar e época: “é bem um livro de tese em que se apresentam problemas básicos de superior transcendência e vão além de qualquer período de atualidade”.

            O texto traduzido deve também ser modificado de forma a não dar a impressão de que Tempos Difíceis seja uma obra subversiva. A passagem seguinte poderia ser considerada subversiva, apesar da opinião de Dickens de que uma decisão para apoiar o sindicalista egoísta Slackbridge estaria errada.

 

That every man felt his condition to be, somehow or other, worse than it might be; that every man considered it incumbent on him to join the rest, towards the making of it better, that every man felt his only hope to be in his allying himself to his comrades by whom he was surrounded; and that in this belief, right or wrong (unhappily wrong then), the whole of that crowd were gravely, deeply, faithfully in earnest; must have been as plain to any one who chose to see what was there, as the bare beams of roof, and the whitened brick walls.

(Dickens 1982:171)

 

            Na tradução, a idéia de unidade e ação de massa desaparece. Torna-se mais claro o erro que cometeram.

 

Toda aquela multidão acreditava, com uma fé grave, profunda e sincera, na conclusão, certa ou errada (errada desta vez, infelizmente), a que [Slackbridge] chegara.

(Dickens 1969:90)

 

            De forma semelhante, a sentença “the slaves of an iron-handed and grinding despotism (Dickens 1982: 169) tornam-se mais suave: “trabalhadores e companheiros” (Dickens 1969:90).

            Certamente pode-se observar algumas mudanças bastante absurdas. A tradução publicada pelo Clube do Livro do Silas Marner altera o nome da casa onde vive Squire Cass: de “Red House” (Eliot n.d.:96) para “Casa Amarela” (Eliot 1973:66), provavelmente para não transmitir a idéia de que a obra pudesse ter algum propósito revolucionário e que a mansão fosse alguma sede comunista! No entanto, de maneira mais séria, a censura era tão forte quando essa obra foi publicada (1973) que qualquer livro com um país socialista no título, ou de um autor com um nome que soasse semelhante a um nome russo, ou mesmo com uma capa vermelha, poderia ser apreendido pela polícia federal ou estadual (Hallewell: 483).

            Qualquer possibilidade de discussão ou contestação política transformava-se em otimismo humanista. Isso pode também ser visto nas traduções do romeno feitas por Nelson Vainer: O Caminho do Céu de Nicolae Jianu (1968), e Um Pedaço de Terra (1970) de Zaharia Stanco.

            O cabeçalho da Nota Explicativa a Um Pedaço de Terra declara: “ENCONTRAMOS O RECORTE DE FIGURAS HUMANAS E A ENCRUZILHADA DE VÁRIOS PROBLEMAS DOMÉSTICOS, ÀS VEZES, GRAVES E AFLIGENTES”. Stanco era um escritor favorecido pelo regime comunista. Em 1948, foi declarado “O prosador do ano”. Suas obras são repletas de realismo socialista; evocando “cenas da vida trágica dos lavradores da campina danubiana nos começos do século”. E Os Mastins (1952) “descreve o levante campesino de 1907, um dos mais sangrentos da história, pois culminou com o extermínio de 11.000 camponeses” (Stanco:7). Mais uma vez, nenhum paralelo ou relação com a situação brasileira poderia ser feito. Stanco não é um crítico social mas um humanista profundo. Sua obra “impõe na paisagem literária contemporânea uma visão artística profundamente pessoal, em estilo característico, tal como em seus versos, como mensagem firme de confiança e otimismo” (Stanco:8). E, assim como  Cervantes, Hugo, Camões, Merimée, Richepin e Púchkin, ele havia escrito sobre os ciganos, esse “infeliz grupo humano, condenado a errar eternamente pelos caminhos tortuosos do mundo” (Stanco:8). A Nota Explicativa de Vainer termina sublinhando a profunda humanidade da obra de Stanco:

 

Em toda a sua obra, como o leitor verá, flui um lento hálito de piedade e de amor, que marca a encantadora narrativa do garoto Darie, em face daqueles dolorosos conflitos de seus parentes. E acima desses conflitos, Stanco pergunta, pergunta, pelas profundas razões que norteiam os não menos profundos mistérios da Vida e da Morte.

(Stanco:9)

 

            Essa última sentença também foi uma das chamadas de contra-capa.

            E as histórias de Jianu “[D]emonstram, assim, como são imensas as fronteiras do coração humano e das belezas literárias” (Jianu:5). Mário Graciotti acrescenta um postscript em uma linguagem excessivamente emocional semelhante: “Nestas excelentes páginas,constituindo uma expressiva antologia, encontramos a presença daquele sopro humano, que, na mensagem de seus intérpretes, transcende dos limites do episódico para as fronteiras da Beleza, características que marcam as verdadeiras e legítimas obras de arte” (Jianu:7)

            Adolescência de Górki recebe uma interpretação pseudocristã: “Toda a obra de Máximo Gorki é, pois, uma mensagem de fé, embora seus personagens sejam recrutados entre vagabundos e gente de disponibilidade [...] Todo o seu generoso esforço de escritor foi no sentido de uma vigorosa palavra de esperança” (Gorki:8). A dureza dos problemas reais do mundo é sempre mantida à distância. A Nota Explicativa ao Um Vagabundo Toca em Surdina de Knut Hamsun diz: “Suas páginas descrevem misérias e desgraças, mas, num tom suave, brando, mais de poema do que de libelo” (Hamsun:5).

            O Romance de Maria Clara (1965) descreve o preconceito racial da classe média de São Paulo através de uma jovem professora mulata. Foi publicado originalmente em 1940, e a Introdução do Clube do Livro sublinha o fato de que os problemas raciais haviam desaparecido “na marcha civilizadora do País” e não faz mais parte de “uma cidade em desenvolvimento” (Ribeiro Neto:8). Literaturas como as de Dickens e Victor Hugo ajudaram a eliminar as injustiças da sociedade e a introduzir uma legislação progressiva, e esse romance pertence à tradição de documentário daquelas obras que descrevem o difícil período de miscigenação.

            O Clube do Livro também atenua o socialismo de Edmundo de Amicis. Ferruccio Rubiani, na Nota Explicativa, menciona que de Amicis foi um dos primeiros socialistas na Itália, considerando-se o socialismo como parte dos ensinamentos de Cristo. Mas ele logo se desiludiu ao perceber que sua visão de bondade e de amor foi simplesmente transformada em um partido político. Ele é mais um escritor cristão do que socialista, e a harmonia de seus escritos também revela “a harmonia da vida interior” (Amicis:5).

 

vi) O Professor: Politicamente correto

 

            Além do Gargântua, O Professor é a única tradução publicada pelo Clube do Livro na qual o tradutor admite ter omitido algumas das longas passagens descritivas. Observemos mais atentamente se são essas passagens as que foram deixadas de lado. Algumas delas são principalmente descritivas: a descrição que Crimsworth faz de seu quarto, no capítulo VII; a de seu passeio por Bruxelas, no mesmo capítulo e a descrição física das alunas no capítulo XII. O monólogo interior de Crimsworth é freqüentemente abreviado, como, por exemplo, no capítulo primeiro, no qual ele se encontra discutindo a tentativa de ganhar a própria vida, suas opiniões sobre Hundsden, no capítulo IV, e as considerações que faz sobre o desgosto que tem em relação ao seu emprego, no capítulo V. Mas podemos encontrar também outros elementos bastante claros que estão omitidos na tradução de José Maria Machado: Crimsworth/Charlotte Brontë mostra um anticatolicismo bem claro e dogmático: a Bélgica é a terra do papismo, que faz de seus habitantes mentirosos, fofoqueiros e desonestos. Todo e qualquer comentário direto do original como: “I know nothing of the arcana of the Roman Catholic religion, and I am not a bigot in matters of theology, but I suspect the root of this precious impurity, so obvious, so general in Popish countries, is to be found in the discipline, if not the doctrines of the church of Rome” (Brontë:Ch.12:84); “Sylvie was gentle in manners, intelligent in mind; she was even sincere, as far as her religion would permit her to be so [...]” (Brontë:Ch.12:87); “I was no pope. I could not boast infallibility” (Brontë:Ch. 20:165).

            Parece que José Maria Machado vai muito longe para assegurar-se de que não ofenderá nenhum leitor ao cortar referências a idéias deterministas, as quais Charlotte Brontë apoia:

 

[...] a band of very vulgar, inferior-looking Flamandes, including two or three examples of that deformity of person and imbecility of intellect whose frequency in the Low Countries would seem to furnish proof that the climate is such as to induce degeneracy of the human mind and body [...]. 

(Brontë:Ch. 12:86).

 

            A tradução corta qualquer insinuação de que os flamengos sejam uma raça inferior: “Flamands certainly they were, and both had the true physiognomy, where intellectual inferiority is marked in lines none can mistake; still they were men, and, in the main, honest men[...]” (Brontë:Ch.7:58). De fato, todas as passagens onde características nacionais são colocadas em discussão, ou são omitidas ou são aparadas. Depois que M. Pelet fica embriagado e insulta Crimsworth no capítulo XX, a descrição de Pelet como “a thorough Frenchman, the national characteristic of ferocity had not been omitted” é deixada de fora. As nacionalidades em “a cortesia francesa”, “a boa vontade alemã” e “o servilismo suíço” (Brontë:Ch. 24:210) foram cortadas. Os comentários radicais de Hunsden sobre a pobreza e a opressão na Inglaterra também foram cortados. As passagens omitidas estão sublinhadas:

 

Examine the footprints of our august aristocracy; see how they walk in blood, crushing hearts as they go. Just put your head in at English cottage doors; get a glimpse of famine crouched torpid on black hearthstones; of Disease lying bare on beds without coverlets, of Infamy wantoning viciously with Ignorance, though indeed Luxury is her favourite paramour, and princely halls are dearer to her than thatched hovels.

 

            Sugiro duas razões para esses cortes. Uma é que o Clube do Livro pretendia ser policamente correto avant la lettre, procurando não ofender a religião e o sentimento nacional de seus leitores. A outra razão é que embora não houvesse censura religiosa no Brasil quando essa tradução foi publicada em 1958, a sensibilidade religiosa pode ser remanescente da época do Estado Novo (1939-1945), quando a Igreja Católica cumpriu um papel importante no aparelho de Estado da ditadura nacionalista de Getúlio Vargas, moldada até certo ponto na de Mussolini, na qual havia uma censura considerável.

            Muitos dos diálogos do original, travados em Bruxelas, estão em francês. Em várias passagens Charlotte Brontë começa em francês e depois muda para inglês. Não é de se surpreender, pois, uma vez que a tradução não visa a um mercado acadêmico, as passagens em francês são completamente ignoradas. José Maria Machado transforma um original, onde existe uma multiplicidade de linguagens, em uma tradução homogeneizada. O capítulo XXIII contém dois poemas: um trecho de uma balada de sir Walter Scott e a balada romântica que foi originalmente escrita em francês por Frances e traduzida por Crimsworth. Uma tradução em prosa da primeira balada foi feita, mas a segunda, ignorada. Uma característica narrativa que se perde do originalé a metanarrativa, onde o autor escapa da narrativa e faz um apelo ao leitor, como vemos no começo do capítulo XIV: “Know, O incredulous reader! [...]”

 

vi) Conclusões

 

            Apesar das críticas das traduções do Clube do Livro, gostaria de expressar os valores positivos da leitura de romances e de outras formas de ficção popular, entre elas as traduções e as obras originais do Clube do Livro, concordando com os sentimentos da seguinte nota de rodapé do Clube do Livro,de Adolescência, de Gorki:

 

Em que pese todo o nosso grande apreço pelo imortal Máximo Gorki, há necessidade de interrompermos a leitura do texto e prestarmos uma informação aos nossos leitores. Atuando os nossos lançamentos no campo das edições populares, no lema do livro limpo, bom e barato, temos procurado manter, nestes 21 anos de ininterrupta atividade editorial, o referido escôpo, a fim de pôr os nossos livros ao alcance do todos, especialmente das classes menos favorecidas. Assim sendo, os nossos livros precisam de notas redacionais, didáticas, explicativas, instrutivas, que certos leitores, intelectuais até, dispensariam fácilmente, mas que a grande maioria de nossos associados, e na qual é ponderável o número de jovens estudantes, delas tem necessidade.

(Gorki:51-52)

           

Termino com uma declaração, que pode parecer extraída de uma das Introduções às obras do Clube do Livro, sublinhando a utilidade, os preços reduzidos e a disponibilidade imediata dos livros do Clube, e sugerindo que essas obras podem ter enriquecido muitos dos seus leitores, apesar dos cortes e das alterações que contêm muitas das suas traduções. Umberto Eco acredita que conhecer um aspecto de uma obra de arte, mesmo que seja superficial, servirá para receber um pouco da “fruição da vitalidade formativa que a obra ostenta, ainda que nos seus aspectos mais superficiais” (Eco:65). De fato, o Clube do Livro podia ter estimulado o questionamento político e o descontentamento social, os quais ignorava, ao menos superficialmente.

 

 

Referências Bibliográficas

 

AMICIS, Edmundo de. Marrocos. Trad. Manuel Pinheiro Chagas. São Paulo: Clube do Livro, 1947.

AZEVEDO, Vicente de. O Poeta da Liberdade. São Paulo: Clube do Livro, 1971.

BARROS FERREIRA. A Herança, São Paulo: Clube do Livro 1956

_____. Cinzas de Esperança, São Paulo: Clube do Livro, 1960.

_____. O Romance da Madeira-Marmoré, São Paulo: Clube do Livro, 1963.

_____. O Viajante Ulisses. São Paulo: Clube do Livro, 1970

CHAVES, Maria Concepción. Tava-í. Trad. J. Machado. São Paulo: Clube do Livro, 1944.

CUNHA, Ayres Câmara. Além de Mato Grosso. São Paulo: Clube do Livro, 1974.

DICKENS, Charles. Hard Times. Harmondsworth: Penguin 1982.

Tempos Difíceis. Trad. José Maria Machado. São Paulo: Clube do Livro, 1969.

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O Tesouro de Silas Marner. Trad. e adapt. Aristides Barbosa e Henrique J. Delfim. São Paulo: Clube do Livro, 1973.

FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary, no translator. São Paulo: Clube do Livro, 1944.

Salambô, no translator. São Paulo: Clube do Livro, 1945.

FREITAS, Agenor de Oliveira. A Mina dos Martírios. São Paulo: Clube do Livro, 1968.

Ouro e Paixão nos Rio Amazônicos. São Paulo: Clube do Livro, 1972.

GIANNINI, Guglielmo. O Anjo Negro. Trad. Lorwnza Aghito. São Paulo: Clube do Livro, 1961.

GORKI, Máximo. Adolescência. Trad. Rolando Roque da Silva. Clube do Livro, São Paulo, 1964.

IRVING, Washington. O Cavaleiro sem Cabeça. Trad. Rolando Roque da Silva. São Paulo: Clube do Livro 1972

JIANU, Nicolae. O Caminho do Céu. Trad. Nelson Vainer, São Paulo: Clube do Livro, 1968.

LIMA Barreto. Triste Fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Clube do Livro, 1967.

Oppenheim, P. E. O Espião. São Paulo: Clube do Livro, 1960.

PAPINI, Giovanni. Um Homem Acabado, no translator. São Paulo: Clube do Livro 1945.

RABELAIS, François. Gargantua. Paris: Gallimard, 1965.

O Gigante Gargântua.Trad. José Maria Machado. São Paulo: Clube do Livro, 1961.

RIBEIRO NETO, Agenor. O Romance de Maria Clara. São Paulo: Clube do Livro, 1965.

ROLEDAY, Norman. Uma Mulher Corre na Noite. São Paulo: Clube do Livro, 1965.

SACKLETON, William. Dois Mistérios. Trad. José Maria Machado e Paulo Arinos. São Paulo: Clube do Livro 1975.

SCHMIDT, Christofer. Genoveva de Brabante. Trad.  Emílio Romeo e Evangelista Prado, São Paulo: Clube do Livro, 1974.

SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Castelo a Tancredo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

STANCO, Zaharia. Um Pedaço de Terra. Trad. Especial de Nelson Vainer, São Paulo: Clube do Livro. 1970.

SYLVEYRA, Osvaldo da. Bartira. São Paulo: Clube do Livro, 1959.